Um Pássaro Engaiolado Ganhando a Liberdade – MARÇO #ESM

Mês de março já está acabando e hoje decidi trazer para vocês (depois de enrolar um pouquinho, confesso) meu texto do projeto Escrevendo Sem Medo #ESM, do blog Historiar. O tema de março é: Um pássaro engaiolado ganhando a liberdade.” – Como é se sentir assim? Você também pode comparar as sensações (a sua e a do pássaro) de encontrar a liberdade.

Depois de refletir muito sobre isso, vamos então à minha visão sobre o tema.

 

Um pássaro engaiolado ganhando a liberdade

Sempre senti pena dos pássaros que ficam presos em gaiolas. Eles tem em sua própria anatomia algo que pode levá-lo para onde quiserem: as asas, que o ser humano tanto cobiça, e talvez seja por isso que o mantem preso e obrigado a se locomover, em sua breve vida, em um pequeno espaço que o humano chama de “casa de passarinho”.

Achamos a vida toda que somos os mandantes de tudo e que decidimos quando e se o passarinho terá a liberdade dele. Mas na verdade, no fim das contas, somos nós os escravos. Reproduzimos com esses indefesos animais o que acontece conosco. Por favor, não confunda, não estou justificando o ato do ser humano de prender o pássaro, mas quero apenas comparar que o que o pássaro vive, nós também vivemos, mas em outro âmbito.

Mas Taísa, não tem como comparar! Nós vamos aonde queremos, à pé, de carro, ônibus e até mesmo voando! Como comparar? Temos muito mais liberdade do que esse indefeso pássaro, que assim que sair voando de sua gaiola irá virar almoço de outro animal ainda maior. Sempre ouvi meus pais dizendo isso sobre soltar os coitados.

Mas assim como os pássaros, será que também não estamos privados de nossa própria liberdade? Pode ser que liberdade de ir e vir não, mas e a liberdade de decisão? Você tem a liberdade de escolher comer um pouco a mais hoje e ganhar alguns quilinhos a mais porque não terão milhares de pessoas te julgando pois não está no “peso ideal”? Será que você tem a liberdade de escolher qual caminho irá seguir profissionalmente sem que as pessoas apontem o dedo para você dizendo: “isso não é profissão para uma mulher”, “homens não trabalham com isso. Isso é coisa de mulher”. Será que você tem a liberdade de andar com a roupa que desejar, na hora que desejar sem ter alguém atrás de você com as piores e mais asquerosas intenções? Será que você realmente tem liberdade de escolher o que quer fazer sem se preocupar com o julgamento de outro?

Diga-me se não se identificou com nenhuma das coisas que citei acima ou se não se lembrou de alguma coisa? Quando vi esse tema fiquei pensando o que me tira a liberdade. O que faz da minha vida como a vida do passarinho preso? E o mesmo que vejo acontecer comigo, vejo acontecer com as outras pessoas. O tempo todo. E é o que meu marido mais me chama a atenção: deixar de fazer alguma coisa que você gosta ou tem vontade simplesmente porque a opinião alheia é um dos seus critérios de decisão.

Não posso dizer com toda a certeza como é me sentir totalmente livre de tudo isso. Como viver minha vida sem nunca pensar no que o outro vai pensar, pois isso ainda me assombra (talvez seja um “trauma” de cidade pequena). Mas posso dizer como foi libertador e reconfortante todos os momentos que consegui vencer essa barreira.

Não estou falando de atos de rebeldia, nem atos impensados de uma adolescente (até porque já tem um tempinho bom que passei dessa fase. Creio que 23 anos já seja suficiente para ser adulta rsrs). Estou falando de decisões simples da vida que fazem diferença em pequena escala a curto prazo, mas em larga escala a longo prazo. Como, por exemplo, saber quando dizer não; quando decidir algo que é melhor para todos, mas para você também; quando decidir ir a algum lugar e fazer coisas que supostamente não são para você. Simples decisões que fazem sua cabeça fica mais leve quando se deita.

Ainda não sei como é ser totalmente livre neste ponto, mas pelas poucas vezes que me deixei sair da gaiola pude ver que o mundo é mais verde, é maior e mais interessante do que visto de dentro da “casinha”. Sei que será difícil alcançar essa liberdade e que não depende exclusivamente de mim, mas somente uma pequena mudança já será capaz de tornar meu mundo mais fácil de viver e minha vida valer muito mais à pena.

Se você se identificou comigo e compartilha deste sentimento, sabe do que estou falando e sabe que precisamos continuar lutando por isso. Não apenas mulheres, mas todos nós, de qualquer idade, de qualquer lugar, de qualquer jeito. Precisamos nos libertar dessa “necessidade” de agradar a todos e nos sentir totalmente livre!

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Escrito por: Taísa Ferreira Dias

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