Porção Literária #23 – Matéria Escura, de Blake Crouch

Olá leitores! Faz tempo que não apareço aqui com as Porções Literárias, não é mesmo? Quem acompanha o blog já sabe que nos últimos meses as coisas ficaram um pouco corridas do lado de cá e pouco a pouco estou voltando com as resenhas e, em breve, as entrevistas com autores, curiosidades, TAG’s. Estou pensando em algumas novidades também, mas essa informação vai ficar no ar. Por enquanto.  😎 

Para quem ainda não conhece, a Porção Literária nada mais é do que alguns trechos (4 ou 5) que se destacaram durante as minhas leituras. Normalmente relacionado a livros que já resenhei aqui no blog.

E para voltar com tudo, a Porção de hoje destaca os trechos do livro Matéria Escura, de Blake Crouch. Então vamos aos quotes!

 

| Resenha |

 

As Porções

Não há avisos quando tudo está prestes a mudar, a ser tomado de você. Nenhum alerta de proximidade, nenhuma placa indicando a beira do precipício. E talvez seja isso o que torna a tragédia tão trágica. Não é apenas o que acontece, mas como
acontece: um soco que vem do nada, quando você menos espera. Não dá tempo de se esquivar ou se proteger.

 

Volto a me perguntar: será que isso está acontecendo de verdade?
Ergo o copo d’água. Parece perfeitamente real, desde as gotículas de condensação no vidro até a sensação de fria umidade nos meus dedos.
Olho no fundo dos olhos de Amanda.
Observo as paredes.
Não estão derretendo.
Se isso é alguma viagem alucinógena, não tem nada a ver com o que já ouvi a respeito. Nenhuma distorção visual ou auditiva. Nenhuma euforia. Não é que o lugar não pareça real, eu é que sou o elemento estranho aqui. O erro é a minha presença. Não sei explicar, mas é a sensação que eu tenho.
Não, não é uma alucinação. É algo de natureza totalmente diversa.

 

Uma hipótese aterrorizante: e se ele estiver certo?
Eu acho que sei quem sou.
Mas alguma parte dentro de mim se pergunta: e se toda a memória que tenho da minha vida real — como marido, como pai, como professor — não for a verdadeira?
E se for consequência de um dano cerebral que sofri durante meu trabalho neste laboratório?
E se eu realmente for o homem que todos neste mundo acreditam que eu sou?
Não.
Eu sei quem sou.

 

Para os estudiosos de física e cosmologia, o mais próximo que se pode chegar das implicações tangíveis da pesquisa são galáxias muito antigas vistas por telescópios. Leituras de dados após colisões de partículas que sabemos que ocorreram, mas que nunca poderemos ver. Há sempre um limite, uma barreira entre as equações e a realidade que representam.
Não mais. Não para mim.
Não consigo parar de pensar: Estou aqui. Estou mesmo neste lugar. Ele existe.
Ao menos por um instante, o medo se foi. Estou maravilhado

 

A culpa e todas as pequenas diferenças transformariam minha vida aqui num inferno. Seriam um lembrete não apenas daquilo que eu fiz, como também do que ainda não fiz. Este jamais seria meu mundo.
Não sou capaz disso.
Não quero isso.
Não sou este homem.
Eu não deveria estar aqui.
Enquanto cambaleio para fora do quarto e atravesso o corredor, percebo que até mesmo considerar a ideia seria o mesmo que desistir de encontrar minha Daniela. O mesmo que dizer que a estou deixando ir embora. Assumir que ela não é alcançável.
E talvez isso seja verdade. Talvez eu não tenha a menor chance de encontrar meu caminho de volta para ela, para Charlie e para meu mundo perfeito. Para aquele único grão de areia numa praia infinita.

 

 

Espero que tenham gostado. Nos vemos no próximo post.

Um abraço!

 

Escrito por: Taisa Ferreira

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