A Cabeca do Santo, de Socorro Acioli [RESENHA]



TítuloA Cabeça do Santo

AutoraSocorro Acioli

Páginas: 176

Ano: 2014

 

 

“Samuel era um corpo magro e faminto, quase uma sombra, que não parava de andar. Quase dez horas de caminhada por dia. Pouca água, comida rara, sono em cotas breves. Tudo ficou pelo caminho: juventude, alegria, pedaços de pele, mililitros de suor, quilos do corpo, e os parcos e velhos fios de esperança de que houvesse alguma coisa invisível que ajudasse os homens sobre a Terra. As esperanças nunca foram suas, eram de Mariinha, ele as usava por empréstimo em casos raros. Naquele momento, Samuel não tinha fé nenhuma nas coisas do espírito.”

 

Sinopse

Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz cumpre a promessa e faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena cidade de Candeia, sofrendo todas as agruras do sol impiedoso do sertão do Ceará.
Ao chegar àquela cidade quase fantasma, ele encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor.
Seu primeiro contato na cidade será com Francisco, um rapaz de quem logo fica amigo e que resolve ajudá-lo a explorar comercialmente o seu dom da escuta, promovendo casamentos e outras artimanhas amorosas. Antes parada no tempo, a cidade aos poucos volta à vida, à medida que vai sendo tomada por fiéis de todos os cantos, atraídos pelo poder inaudito de Samuel. Em meio a esse tumulto, ele irá descobrir a verdade sobre o desaparecimento do pai e se apaixonar por uma voz misteriosa que se destaca entre as tantas outras que ecoam na cabeça do santo.
Já consagrada por seus livros infantojuvenis, a escritora Socorro Acioli apresenta este seu primeiro romance dirigido ao público adulto, desenvolvido na oficina Como Contar um Conto, promovida por Gabriel García Márquez em Cuba.

 

Resumo

Samuel é um jovem rapaz que acabou de perder a mãe, Mariinha. Sua única família era ela e agora ele precisa cumprir as promessas que fez a ela antes de seu falecimento. Mariinha pediu ao filho que acendesse três velas, uma no pé do Padre Cícero, outra no pé de São Francisco de Canindé e outro no pé de Santo Antônio. E pediu também que ele fosse procurar por sua avó e seu pai, que moram na cidade de Candeia. Para Samuel realizar esses pedidos da mãe não será tão difícil, exceto que terá que procurar por seu pai. Samuel guarda muito ódio dele, pois abandou ele e sua mãe sem nem ao menos dar satisfação, deixando-os passarem muita dificuldade.

Mesmo assim, como bom filho, Samuel decide realizar os pedidos da mãe e sai rumo à cidade de Candeia. Ele passa 16 dias andando, passando fome e sem ter abrigo até chegar à cidade. Candeia está abandonada, com poucos moradores, mas ele finalmente encontra a casa de sua avó, que para a sua surpresa não o recebe bem, mandando-o procurar outro lugar para ficar.

Vendo a noite chegar e com ela uma estranha chuva, ele procura pelo lugar indicado por sua avó para se abrigar e encontra uma gruta. No dia seguinte ele descobre que na verdade a gruta era uma estranha cabeça do Santo Antônio, que tinha seu corpo no alto do morro. Mesmo a imagem de um santo degolado sendo horripilante, Samuel decide ficar, já que a chuva não havia passado e ele tinha um grande machucado na perna, provocado pelos cães que o perseguiram antes de chegar à gruta.

Mas o mistério começa por aí, quando Samuel descobre que dentro da cabeça do santo é possível ouvir as vozes de várias mulheres que oram a Santo Antônio pedindo casamento. Samuel vê aí uma boa oportunidade para conseguir ganhar dinheiro dessas moças. Porém, o sucesso que ele e seus “milagres” estão fazendo não agradam muito alguns dos moradores, e aos poucos vamos descobrindo o passado sombrio das pessoas dessa cidade.

 

Minha opinião sobre A Cabeça do Santo

Já tem um tempinho que A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli está na minha lista de leitura e apenas acabei desenterrando ele da minha imensa lista por causa do Desafio Literário do blog Livreando. Um dos itens do desafio deste mês era ler um livro com a capa amarela, por isso escolhi este livro.

E já que falamos da capa, vamos começar por aqui. A capa do livro é bem simples, nada de muito chamativo. Porém a história me chamou bastante a atenção. A autora usou muitas características do nosso país, a começar pela localização do nosso protagonista, que mora em Juazeiro do Norte – Ceará.

Faz bastante tempo que não leio livros com traços bem claros da nossa cultura, na localização, fala e condições socioeconômicas. Confesso que no início tive até dificuldade de imaginar o cenário, os personagens e até mesmo a entonação das vozes dos personagens, devido a essa caracterização cultural. Mas nada que não foi superado.

A autora descreve um personagem que sofreu o abandono da família por parte do pai, deixando Mariinha em condições difíceis. Isso faz crescer um ódio muito grande dentro de Samuel para com seu pai e ele fica ainda mais arrasado e irado quando sua mãe lhe pede para procurar o pai. A intenção de Samuel não é reencontrá-lo e fazer as pazes, e seu caminho passa ser guiado em função de cumprir sua promessa à mãe e dar fim ao seu pai.

Nas primeiras partes do livro, é possível ver a dificuldade das pessoas pobres, que mal tem o que comer em uma terra seca a abandonada. Encontramos personagens bons, que mesmo na dificuldade mostram solidariedade, assim como encontramos personagens deploráveis.

Podemos ver também, a esperteza de Samuel em se aproveitar da fraqueza das mulheres desesperadas para encontrar um casamento ou conquistar seu tão amado príncipe. As cenas sobrenaturais deixam um mistério a mais no livro. Tudo pode ser explicado no livro, menos as vozes dentro da cabeça do santo. Como elas chegam até lá? E porque chegam até lá?

Samuel é um personagem que não me comoveu e nem me deixou impressionada, mas muitos pontos de sua vida estão em branco para o leitor. Porém, autora vai aos poucos contando um pouco mais sobre o passado de Samuel e de sua família, que preenchem esses espaços. Os personagens secundários também não me cativaram muito. O que é mais interessante e bem trabalhado é a narrativa e o desenrolar da estória.

É um livro com a leitura bem leve, que traz muito sobre a cultura nordestina e que prende o autor do início ao fim. Os mistérios que Candeia esconde levam o leitor à curiosidade em descobrir como Samuel irá se safar das confusões que se meteu.

 

Participe!

Espero que tenha gostado da resenha. Esse é o primeiro livro do mês de abril do Desafio Literário do blog Livreando que resenho. Deixe nos comentários a sua opinião e contribua com crescimento do blog, agregando sua visão sobre a história.

Livros precisam ser lidos, relidos e discutidos.

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Um abraço e até o próximo post. 😉

Escrito por: Taísa Ferreira Dias



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