Um Estudo em Vermelho, de Arthur Conan Doyle [RESENHA]



Título: Um Estudo em Vermelho

Autor:  Arthur Conan Doyle

Páginas: 192

Ano: 2013

Editora: Zahar

 

“- Entenda, – explicou ele – considero que o cérebro de um homem é originalmente como um pequeno sótão vazio, que temos de encher com os móveis que escolhemos. Um tolo recolhe todo tipo de trastes com que depara, de modo que o conhecimento que lhe poderia ser útil fica atravancado, ou na melhor das hipóteses misturado com muitas outras coisas, de modo que ele tem dificuldade em localizá-lo. O trabalhador competente, porém, é muito cuidadoso com relação ao que leva para seu cérebro-sótão. Não guardará nada lá a não ser as ferramentas que possam ajudá-lo em seu trabalho, mas dessas tem grande sortimento, e todas na mais perfeita ordem. É um erro pensar que o quartinho tem paredes elásticas e pode se expandir até qualquer medida. Acredite que chega uma hora em que, para cada novo conhecimento, você esquece alguma coisa que sabia antes. É da maior importância, portanto, não ter fatos inúteis expulsando os úteis.”

 

O cadáver de um homem, nenhuma razão para o crime. É a primeira investigação de Sherlock Holmes, que fareja o assassino como um “cão de caça”. Lamentava-se de que “não há mais crimes nem criminosos nos nossos dias”, quando, nesse instante, recebe uma carta a pedir a sua ajuda — o cadáver de um homem foi encontrado numa casa desabitada, mas não há qualquer indício de roubo ou da natureza da morte. Sherlock Holmes não resiste ao apelo, mas sabe que o mérito irá sempre para a Polícia. 

Um Estudo em Vermelho (1887), de Arthur Conan Doyle (1859- 1930), é a estreia de Holmes. A história foi editada pela primeira vez na revista Beeton’s Christmas Anual e logo fascinou inúmeros leitores, para quem o endereço do detetive — 221B Baker Street, Londres — se tornou uma das ruas mais famosas da literatura. As deduções do investigador são narradas pelo seu amigo, o Doutor John Watson, uma espécie de Sancho Pança de Holmes.

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Minha Opinião Um Estudo em Vermelho

Este é o livro que inicia a história de Sherlock Holmes, para minha enorme alegria, pois este também é o primeiro livro que leio do tão famoso detetive. Com o Desafio Literário deste mês, do blog Livreando, que pedia um livro com um autor aniversariante deste mês, decidi me aventurar neste livro. Daí fico me perguntando: por que eu não li antes? O livro é muito bom!

Sou fascinada por livros que envolvem mistério e crimes e com Sherlock não foi diferente. O livro conta como o Doutor John Watson conheceu Holmes e como passaram a dividir o mesmo apartamento, ao mesmo tempo que conhecemos um pouco da história de Watson.

Watson acaba de chegar da guerra no Afeganistão e como está ferido vive às custas do governo. Por causa disso ele não pode mais bancar o hotel em que está e pede a seu amigo que lhe ajude a encontrar um outro lugar para ficar. Por coincidência esse amigo conhecia Holmes, que naquele mesmo dia havia comentado que estava procurando por alguém para dividir seu apartamento.

Logo Watson pode conhecer Holmes, para tratar do assunto e ver se poderia dar certo eles dividirem as despesas do aluguel. Este é o momento em que podemos conhecer melhor o Holmes e pude ver (ler) com meus próprios olhos a razão deste personagem ser tão icônico. Holmes é super excêntrico, tem um raciocínio totalmente diferente e muito atento a tudo. Ele foi capaz de descobrir coisas sobre Watson que jamais teria como um estranho saber, como por exemplo, que ele havia voltado do Afeganistão. Holmes é totalmente diferente de Watson (e de qualquer pessoa, eu diria), mas isso não impediu que ambos se dessem bem e fechassem o negócio.

Dias após se mudar para o apartamento de Holmes, Watson ainda não conseguia definir no que Holmes trabalhava, até o momento a única coisa que sabe é que ele é um químico sem formação. Mas se surpreende ao saber que Holmes foi chamado para ajudar em um caso de homicídio, onde a vítima não apresentava nenhum sinal de roubo ou algo similar. Este é um momento que fica bem claro a verdadeira paixão e trabalho de Holmes. Ele na verdade é um detetive.

Porém (coitado) por mais que ele solucione diversos casos (nos últimos tempos, casos mais simples, segundo ele não haviam mais casos interessantes) normalmente não lhe dão os devidos créditos. É claro que o detetive fica muito chateado com isso, mas ele jamais desperdiçará a chance de conferir de perto o caso e ajudar a solucioná-lo. Tudo em nome do conhecimento.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira é onde conhecemos Watson e Holmes e onde todo o caso começa e termina. Achei bem estranho e fiquei até pensando que o livro teria duas histórias do detetive. Mas aí vem a segunda parte, que no início me deu a impressão de que estava em outro livro. A história se passa nos Estados Unidos (sendo que Sherlock Holmes é de Londres) vinte anos antes e conta tudo que aconteceu e que levou ao assassinato do personagem do livro. Nessa segunda parte só encontraremos com Holmes, Watson e os detetives do caso novamente no final do livro para finalmente um desfecho completo. Me senti um pouco perdida por causa dessa mudança de cenário, mas acredito ser por falta de aviso, afinal eu não tinha lido nenhuma resenha deste livro antes, então não sabia o que estava me esperando.

Mas a história é viciante. Você começa a compreender aos poucos o raciocínio de Holmes e cada pista que você encontra no livro te faz criar mil teorias e perguntas. A escrita é bem fácil de ser entendida, sem rodeios, direto ao ponto, o que torna o caso ainda mais interessante, pois você não se perde em pensamentos e cenas que não são muito interessantes. A edição que li, dos clássicos da Zahar, vem recheada de ilustrações de algumas cenas do livro.

Estou ansiosa para ler os outros livros do famoso detetive Sherlock Holmes. Se você ainda não leu (como eu há quinze dias atrás) e gosta de livros policiais, te recomendo muito este livro, principalmente por ele ser o primeiro caso de Holmes.

 

Participe!

Espero que tenha gostado da resenha. Este é o segundo livro resenhado do mês de maio do Desafio Literário do blog Livreando. Você pode conferir o primeiro livro que resenhamos para o desafio desse mês aqui. Deixe nos comentários a sua opinião e contribua com crescimento do blog, agregando sua visão sobre a história.

Livros precisam ser lidos, relidos e discutidos.

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Um abraço e até o próximo post. 😉

Escrito por: Taísa Ferreira Dias



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